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 Millôr, Corrupção, Literatura e o triunfo da palavra Tributo ao Millôr O que mais impressiona nas frases do Millôr é que todas tem um fundo de verdade, não são proferidas ao léu. Fundamentam-se na realidade crua que nos cerca, não são inconsequentes, são certeiras. Aí reside a genialidade dele. Profundamente cético com a humanidade, estava convicto de que o homem é um projeto que não deu certo.
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 Corruptíssima república.
O Brasil cria 776 normas burocráticas por dia útil, entre leis, medidas provisórias, emendas constitucionais, decretos, portarias, normas internas, etc. O interessante é que nada disso impede a corrupção. Já no primeiro século da era cristã, o historiador e político romano Tácito advertiu: “Corruptissima res publica, plurimae leges” – ou, traduzindo, “estados altamente corruptos têm grande número de leis”.
Literatura
“Tu choraste em presença da morte?/ Na presença de estranhos choraste?/ Não descende o covarde do forte;/ pois choraste, meu filho não és!” (I-Juca Pirama).
“Não chores meu filho!/ Não chores, que a vida/ é luta renhida; /viver é lutar./ A vida é um combate,/ que os fracos abate,/ que os fortes, os bravos,/ só pode exaltar”. (Canção do Tamoio).
Estes versos por demais conhecidos são de Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), nascido no Maranhão e falecido num naufrágio quando retornava de uma viagem à Europa. É considerado o primeiro poeta autêntico do romantismo brasileiro. Seus versos cantam os grandes temas românticos do amor, da natureza, da pátria e da religião. Ponto alto deles são também os poemas indianistas (Poesias Americanas), que pretendiam fazer do índio mais do que um assunto, um herói. É a parte da sua poesia que mais gerou entusiasmo e repercussão. Os “Primeiros Cantos”, publicados em 1846, firmaram seu nome de grande poeta, logo seguidos pelos “Segundos Cantos”, “Sextilhas de Frei Antão”, em 1848, “Últimos Cantos”, em 1851, e o poema épico inacabado “Os Timbiras”.
O Triunfo da palavra
Revi há pouco tempo atrás o filme “Júlio César”, do diretor americano Joseph Mankiewicz, baseado na tragédia do mesmo nome de William Shakespeare, “palavra por palavra”, segundo o diretor.
César não é a figura principal da peça. Naquele momento histórico sua vida já está traçada. Marco Bruto(James Mason), seu filho adotivo, e Marco Antonio(Marlon Brando), são os personagens principais e do conflito entre os dois resulta o drama narrado pelo grande dramaturgo inglês.
Numa das cenas, talvez a mais importante do filme, a multidão aplaude o assassinato de César açulada pelo discurso de Bruto que tenta justificar o assassínio dizendo que César queria destruir a república e se tornar um ditador. Em seguida, ante as palavras de Antônio, que enumera as obras de César em favor do povo e lê seu testamento, muda de atitude e passa a pedir vingança contra os assassinos. Ante a volubilidade da massa Antônio exclama: “Ó julgamento! Foste para o meio dos brutos animais, tendo os humanos perdido o uso da razão”.
As palavras de Antônio cumprem a grandiosa missão de conscientizar as pessoas comuns do povo. O diretor do filme sabe que a destruição da palavra é a destruição do humano. |  | |
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