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Gramado RS - Serra Gaúcha

Texto publicado em 14/05/2012 - 09:35, segunda-feira.por Padre Ari
"Dai-me Mães Santas e eu transformarei o mundo" (Pio XII)
O mês de Maio sempre nos traz celebrações bonitas e ternas. Os cristãos, especialmente os católicos, têm a tradição de dedicar o mês como sendo o de Maria, Mãe de Jesus Cristo. Por outro lado, a sociedade, dentro de uma tradição igualmente bonita, celebra também o “Dia das Mães”. Quando olhamos sob o prisma das finanças, é um tempo em que há um dinamismo especial que aquece a economia no mercado de vendas. A princípio nada de mais, embora se perceba que fica na sombra do comércio o sagrado e o divino chamado da “vocação de ser mãe”.

"Dai-me Mães Santas e eu transformarei o mundo" (Pio XII)
A cultura contemporânea tem muitos eventos de natureza religiosa ao longo do ano que, sem tirar o mérito daqueles que ganham o sustento em vista desses acontecimentos, muitas vezes, por omissão dos próprios cristãos, obscurece o sentido religioso e teológico desses acontecimentos que acabam por distorcer a espiritualidade que tais datas deveriam suscitar nos corações de todos. Com certeza, os cristãos também têm sua culpa ao não evangelizar e resgatar o sentido original dos tempos litúrgicos e básicos da fé cristã.

Falta o uso do “marketing” religioso, uma catequese mais centrada no Mistério de Deus e da Igreja, sem entrar em conflito com o setor da economia que acaba ganhando e abafando a dimensão da fé. É o caso do “Dia das mães”. A preocupação é de dar presentes, festas e etc. Ótimo, embora esquecessem que “ser mãe é uma vocação sublime” e de grande responsabilidade para o futuro da humanidade.

A transformação da sociedade passa pela família e a figura "Mulher-Mãe" tem um papel determinante no futuro da humanidade

As transformações culturais hodiernas, por incrível que possa parecer, têm provocado mudanças de mentalidade e comportamentos, principalmente na correnteza da evolução científica e tecnológica, além de abrirem-se para uma neutralização das assimetrias sociais e culturais quanto ao modo de ser masculino e feminino.

Permeados por uma antropologia dualista, a igualdade de direitos se insurge de forma radical como muito bem coloca Bento XVI, ou seja, permitindo a cada ser humano recriar-se à medida da sua própria conveniência. Em outras palavras, estamos perante novas formas de conceber o ser humano e a sociedade.

Ratzinger afirma que na última década observou duas fortes orientações culturais: 1. Uma orientação gnóstico-religiosa que procura o ser transcendente e transpessoal e, nele, o verdadeiro “eu”. 2. Uma orientação ecológico-monista que adora a matéria e terra-mãe, e que no eco-feminismo se alia ao feminismo. Bento, conclui: “Ambas caminham em estreita colaboração com ideologias feministas”. E continua: “O que está em causa no mundo da cultura de gênero é uma nova antropologia onde se verifica a incapacidade de lidar com a diferença sexual que caracteriza a natureza humana. Percebe-se na atualidade uma visão da mulher em sentido reducionista, mostrando uma leitura distorcida na dimensão histórica da mulher”. Bento XVI, retomando a reflexão sobre a mulher a partir da Carta Apostólica “A dignidade da mulher” nº31 de João Paulo II, ambos nos trazem à luz exemplos de grandes mulheres místicas. Em Gn.3,15 encontramos uma promessa divina de um Salvador, em que aparecem empenhadas a “mulher” e a “descendência”. É um fator importante, que Bento XVI frisa no Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja.

Testemunho de santidade em mulheres casadas

Ao longo da história da Igreja encontram-se muitas mulheres casadas e santas que se distinguiram pela sua vida de piedade. Por um lado, exercendo o seu papel de esposa e mãe, por outro, profundamente engajadas no anúncio evangelizador como agentes ativas na pastoral da Igreja, contribuindo para o engrandecimento do Reino de Deus na história. Para tanto, temos exemplos em toda a História da Igreja como: Santa Catarina de Sena que soube conjugar de modo incisivo das duas formas de maternidade. Em certa ocasião ela disse a um de seus filhos espirituais que era monge cartuxo: “Digo-vos e chamo-vos filho, aos demais filhos: (...) enquanto vos dou à luz mediante contínuas orações e desejos diante de Deus, do mesmo modo como uma mãe dá à luz o seu filho”(L’Oservatore Romano – nº16 – 21 abril de 2012 – p.9). João Paulo II ao falar da maternidade, afirma: “Embora a maternidade seja um elemento-chave da identidade feminina, isso não autoriza absolutamente a considerar a mulher apenas sob o perfil da procriação biológica. Pode haver nesse sentido graves exageros que exaltam uma fecundidade biológica em termos vitalistas e que frequentemente são acompanhados de um perigoso desprezo da mulher” (apud – ibidem). Bento XVI acena com muita propriedade o plano da mística cristã integrado na vivência quotidiana no mundo, e ainda insiste que essa visão dessas grandes mulheres místicas nos faz ultrapassar os limites impostos pela condição do pecado e assim nos mostra o lado positivo da presença feminina na caminhada da Igreja e no mundo ao afirmar: “As grandes mulheres santas assumem a relação com o sexo oposto; não na lógica do pecado e do conflito, mas através das novas categorias humanas, próprias da antropologia da ressurreição. O caráter nupcial, filial e fraterno, que caracteriza os relacionamentos humanos, é assumido pelas grandes místicas com base no modelo Trinitário”(ibidem).

Temos entre vários exemplos de “mulheres –mães” como Santa Catarina de Gênova. Essa foi se aproximando cada vez mais do Senhor, até entrar naquela denominada “vida unitiva”, ou seja, uma relação de profunda união com Deus (...) O lugar de ascensão aos vértices místicos foi o hospital de Pammatone, a maior estrutura hospitalar de genovesa, da qual foi diretora e animadora. Essa mulher-mãe viveu uma existência totalmente ativa. Formou um grupo de seguidores, discípulos e colaboradores. O próprio marido, Giuliano Adorno, foi conquistado por ela, a ponto de se tornar terciário franciscano e de se transferir para o hospital, para oferecer ajuda à esposa, deixando de lado sua vida desregrada. Outro exemplo é da Fundadora da “Caritas Socialis”, beata Hildegarda Burjen. Casada e mãe, seguiu o mesmo exemplo de Catarina. Mais perto de nós, temos o exemplo da Dra. Zilda Neumann Arns, brasileira fundadora da Pastoral da Criança. Bento XVI, ao comentar dessas grandes mulheres ao longo da história da Igreja, desafia-nos como metas para o “Ano da Fé” e da Nova Evangelização. O papa nos acena para a busca da santidade e apresenta-nos uma antropologia da ressurreição que consiste em alcançar uma profunda união com Deus Uno e Trino. Portanto, ser santo não é fruto de nosso esforço, mas é a ação do Espírito Santo que nos anima de dentro, assim como a própria vida de Cristo Ressuscitado que nos comunica e nos transforma. Basta estar abertos para o Espírito.

Nessa perspectiva, Bento XVI, ao falar da importância da mulher na transformação da sociedade nos recorda de que: “Só esta forma esponsal e fecunda de 'dar fruto, cada um segundo a sua espécie' poderá inviabilizar as profundas modificações a que a cultura de gênero submete, atualmente, o ser humano”. (ibidem). Em nossas comunidades são inúmeras as mulheres guerreiras pelo Reino, que sabem conjugar o seu papel de mulher-mãe e ao mesmo tempo grandes evangelizadoras. Parabenizo a todas as mães pela rica e bela contribuição para um mundo melhor! Com o carisma da mulher, seja consagrada ou como mães, é que o mundo se torna mais terno e humano.

Salve Maria, a mãe das mães.
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