Neste momento, a pesquisa está concentrada no levantamento de informações disponíveis no Arquivo Histórico Municipal através de material fotográfico, informativo e de divulgação das primeiras edições do evento. A partir deste levantamento, Alexandra Utzig e Sabrina Munõz, voluntárias do projeto, estão realizando entrevistas com algumas pessoas que efetivamente fizeram parte do evento desde o seu inicio.
“Os entrevistados têm se mostrado muito receptivos com a pesquisa e satisfeitos em poder contribuir com a sua realização. São pessoas que não apenas relatam a história do festival como um evento que ocorre todos os anos, em uma determinada época, mas o tratam como parte de suas vidas”, destaca Alexandra, ao dizer que as pessoas chegam a falar com lágrimas nos olhos sobre o Festival.
Alexandra ainda afirma que os entrevistados são unânimes em afirmar a constante evolução do festival ao longo desses 40 anos. Segundo ela, os entrevistados desejam que os princípios de integração da diversidade cultural sejam expandidos cada vez mais e que mais pessoas sejam envolvidas nesse processo.
A partir deste levantamento preliminar, a Comissão Organizadora do Festival Internacional de Folclore participará de uma reunião com a Universidade Feevale na próxima quarta-feira, 23. A Universidade está auxiliando no processo didático do trabalho e do levantamento destes dados para transformar estas informações em uma revista que contará os 40 anos do evento.
Confira alguns relatos já obtidos:
“Começou com as bandinhas que tocavam. Aí quando passava o pessoal que ia pra Gramado ou vinha de Gramado/Canela, paravam e ficavam muito faceiros com as bandinhas e com o chope. Então aos poucos começou a se pensar que podia se também fazer alguma apresentação. Começaram a fazer o tablado de dança, as casinhas (venda de produtos coloniais e malhas) ficavam na Praça, na calçada. O trânsito ficava fechado naquela uma pista (da Av. XV de Novembro) e o pessoal passava e ficava cheio de gente, de visitantes! Então os grupos folclóricos começaram a surgir: Linha Brasil, Pinhal Alto, aqui na sede também tinha um e começaram a se apresentar. Convidavam grupos da Feliz e de outros lugares que já tinham grupos folclóricos. Então eles vinham pra cá nesses dias de festividade. E como isso agradava muito, e quando vinham grupos folclóricos tinha muita visitação, pensaram: “Olha vamos fazer um Festival de Folclore!”, relembra o historiador Renato Urbano Seibt.
“(...) antes Nova Petrópolis tinha a “Namorada de Nova Petrópolis”. Depois, no tempo da Terezinha Haas, ela comentou comigo: Maria o que tu acha em vez de nos fazermos a “Namorada”, como já tínhamos mais grupos criados, vamos fazer a Rainha do Folclore (...) para dar um impulso no Festival do Folclore. Daí realmente deu certo, porque aí houve assim um movimento grande, uma adesão, uma luta e daí o pessoal se empolgou e a coisa andou”, conta Maria Zilles Knorst de como surgiu a idéia de se escolher uma rainha para o Festival de Folclore.
“(...) só que aí tivemos que remontar tudo, porque eu não tinha nada de danças folclóricas. Aí um aluno, dos jovens, tinha uma fita, outro tinha outra fita, não sei como é que eles gravaram, e aí a gente procurou remontar as danças. Um se lembrava de um passo e o outro dizia “não é bem assim”! Daí eu fui aprendendo com eles, inclusive eu tomava nota dos passos. Claro, eu não tinha uma coreografia correta, não sou professora de educação física nem coisa nenhuma. Eu escrevia a minha moda, tal passo assim... a gente foi remontando e daí o grupo renasceu”, relembra Dona Inga (Irmgard Schuch) sobre os primeiros ensaios no comando do atual Grupo de Danças Folclóricas Internacional em 1973.
O 40º Festival Internacional de Folclore será realizado entre 27 de julho e 12 de agosto, na Praça das Flores. O evento é realizado em parceria entre a Prefeitura Municipal de Nova Petrópolis e a Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs, e conta com o apoio da IOV – Organização Internacional de Artes Populares.
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